História

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A história da Refinaria de Manguinhos começa em 1945, com o sonho de Drault Ernanny, um ícone da história política e empresarial brasileira recente. Naquele ano, em 30 de outubro, o Diário Oficial publicava o decreto e o edital de concorrência pública para a instalação de duas refinarias de petróleo, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro. Convidado por amigos para participar como cotista da refinaria que seria erguida em São Paulo, Drault Ernanny optou por formar um grupo e partir para a montagem de uma refinaria no Rio de Janeiro, que posteriormente viria a se chamar Refinaria de Petróleos de Manguinhos.
O caminho entre a publicação do decreto e a inauguração da refinaria, no dia 14 de dezembro de 1954, não foi simples. Drault Ernanny enfrentou dificuldades provocadas por entidades governamentais que tinham dirigentes contrários à efetivação do projeto e a pressão das “sete irmãs” – grandes empresas multinacionais do petróleo que exerciam o controle total da venda no país. Em seu livro biográfico encontramos uma expressão dita por ele que retrata sua verdadeira obstinação empreendedora pelo projeto:
Confesso que minha vida inteira não teria sentido se não fosse a realização dessa refinaria.

Livro: Meninos eu vi… e agora posso contar. Drault Ernanny Ed Record 1988.


Em 1964, a refinaria sofre um processo de desapropriação ordenado pelo presidente João Goulart, três semanas antes de sua deposição. No ano de 1998, logo após a desregulamentação do mercado de petróleo, a Refinaria de Manguinhos teve parte de seu controle acionário – 50% – adquirido pela empresa de petróleo argentina YPF. No ano seguinte, a YPF foi comprada pela Repsol, que passou a dividir o controle com o Grupo Peixoto de Castro. Após várias tentativas de adequação de seu modelo operacional, visando estabelecer um equilíbrio econômico/financeiro, a empresa foi comprada pelo Grupo Andrade Magro em dezembro de 2008.

O ano de 2009 foi dedicado à recuperação funcional da planta da Refinaria, à estruturação de uma nova equipe de gestão e à composição de condições econômicas que viabilizassem seu retorno operacional. Em 2010, a planta produziu 370mil/m3 de produtos, em 2011, 568mil/m3, e em 2012, produziu 583 mil/m3 - um recorde histórico. O volume daquele ano ultrapassaria os 600 mil/m3 se a desapropriação de 12 de outubro não tivesse ocorrido.

A empresa foi apontada na revista Melhores & Maiores, da Exame, como a que apresentou as maiores altas da Bovespa de 2011, e ficou com o 1º lugar entre as 10 ações da Bovespa que mais subiram em 2010. Nesse mesmo ano, atingiu o recorde de valorização chegando a R$ 1,43 por ação, o que levou a companhia a um valor de mercado superior a R$1,8 B. Em 19 de setembro de 2012. a empresa foi eleita entre mais de 60 mil votos em eleição coordenada pela ADVFN como a Small Cap preferida do mercado acionário brasileiro em 2012

Com a desapropriação, o foco da empresa voltou-se para o campo jurídico para reverter o processo de desapropriação que poderia encerrar suas atividades. Cientes de que esse movimento tomaria tempo e recursos, a administração entrou em processo de recuperação judicial visando equilibrar contas, reduziu a equipe de mil para 20 funcionários e encerrou um projeto social que beneficiava, naquele momento, 800 crianças da região.

Após diversas batalhas jurídicas, o Grupo Andrade Magro recebeu a decisão liminar do Supremo Tribunal Federal, seguida da decisão monocrática do Ministro Gilmar Mendes, em junho de 2014, revogando o ato de desapropriação. Paralelamente a essa ação, a Refinaria de Manguinhos movia outra contra a Petrobrás na qual solicitava o ressarcimento de todo prejuízo sofrido desde 2002 na refinaria fruto da política de preços praticada pela estatal. Em dezembro de 2014 a ação foi julgada, com vitória em primeira instância para a Refinaria. O valor estimado de ressarcimento ultrapassa R$3 bilhões, e o prédio sede da Petrobras foi colocado como uma das garantias de pagamento.