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Setor de combustíveis tende a ser mais competitivo após solução de gargalos

Estadão Broadcast – 06/06/2017

A iniciativa Combustível Brasil deve dar um direcionamento aos gargalos na infraestrutura no setor de combustíveis, disseram participantes desse mercado. Os problemas vão de dificuldades de logística à falta de investimentos em terminais para importação. Mas futuramente esse mercado tende a ser mais sofisticado, com um número maior de empresas e condições para concorrência nos preços.

Agentes do setor listaram uma série de problemas que precisam ser resolvidos para que o País não se depare com a falta de abastecimento, caso a economia volte a crescer. Ricardo Magro, advogado da Refinaria de Manguinhos, cita que a infraestrutura portuária para recebimento de derivados é limitada.

Já o presidente da Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes), Paulo Miranda Soares, diz estar preocupado com o abastecimento. “Defendemos a democratização do acesso à infraestrutura da cadeia”.

Para ele, o investimento em infraestrutura no setor de combustíveis é atraente e pode dar retorno. “Se tiver alguma empresa querendo investir em bases, polidutos, terminais marítimos, entre outros, é uma oportunidade. O Brasil tem carência nessa área de infraestrutura”, afirmou Soares.

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), citou o entrave da internalização dos combustíveis. “Existe uma dificuldade de transporte para regiões mais distantes”.

Quanto aos problemas na importação, deve-se lembrar que a maioria dos terminais para receber combustíveis é de propriedade da Petrobras, que além de centralizar a decisão sobre as empresas que são atendidas, está com dificuldade de investimentos. “A Petrobras inviabiliza a utilização desses terminais por terceiros”, diz Ricardo Magro.

Há a possibilidade de a Petrobras vender refinarias junto com terminais. Até porque há refinarias que são ligadas a determinado terminal marítimo, explicou Soares.

Pires lembra que o tema de importação da gasolina também depende da retomada do etanol hidratado. “O governo pode olhar para isso”.

No segmento de GLP, Alexandre Borjaili, presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg-BR), diz que, antes de atrair novos investidores à cadeia, o governo deveria resolver problemas antigos de regulação. Em sua avaliação, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é ineficiente enquanto reguladora. “A ANP permite um microempreendedor individual funcionar como revenda, o que acaba elevando a sonegação”, exemplifica.

Mercado sofisticado
Futuramente, os participantes do setor vislumbram um mercado de combustíveis sofisticado, com preços mais competitivos. As grandes distribuidoras, como Ipiranga e Shell, que são clientes da Petrobras, poderão ter mais opções de fornecedores, bem como praticar preços competitivos, em razão da possível diminuição do custo de logística. “Está mudando a lógica de funcionamento do setor no Brasil. Com o plano de desinvestimento da Petrobras, o mercado de combustíveis terá nova configuração”, afirmou Pires.

“As distribuidoras seriam beneficiadas pela redução do gargalo na logística, podendo diminuir preços. A tendência é de aumento da competição nos preços”, opina Soares, da Fecombustíveis. (Karin Sato – karin.sato@estadao.com)